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UBERABA: UM EXEMPLO DE MUNICIPALIZAÇÃO DA PESQUISA PALEONTOLÓGICA
Prof. Luiz Carlos Borges Ribeiro - CPPLIP

e-mail : cpplip@fumesu.br

Desde meados do século passado o município de Uberaba vem sendo alvo de intensas investigações paleontológicas. O motivo é que toda região abrange um dos maiores e mais importantes Sítios paleontológicos do Brasil, com registros fósseis datados de 80 a 65 milhões de anos de idade.
Os primeiros achados foram ao acaso no ano de 1945, quando operários encontraram fragmentos ósseos de um dinossauro, próximos à estação ferroviária de Mangabeira, localizada ao norte da cidade de Uberaba. O então paleontólogo Llewellyn Ivor Price designado pelo Departamento Nacional da Produção Mineral - DNPM para realizar os estudos desenvolveu escavações em diversas localidades até o ano de 1974. Neste período publicou inúmeros trabalhos, contribuindo de forma significativa para o avanço do conhecimentos paleontológico no Brasil, notadamente vertebrados. Todo material coletado nesta ocasião, encontra-se na coleção do DNPM na cidade do Rio de Janeiro.
Para dar continuidade aos trabalhos, a Prefeitura de Uberaba iniciou em 1991 a implantação do Centro Paleontológico ao qual foi dado o nome de Llewellyn Ivor Price. Sediado no bairro de Peirópolis a 20 Km de Uberaba, suas instalações ocupam a antiga estação ferroviária, totalmente restaurada para abrigar: alojamento de pesquisadores, laboratórios, reserva técnica, administração e ainda o Museu Paleontológico mais conhecido como Museu dos Dinossauros.
O Centro Price e o Museu integram hoje a Fundação Municipal de Ensino Superior de Uberaba - FUMESU e a Faculdade de Educação de Uberaba - FEU, ambas subvencionadas pela municipalidade.
Desde a implantação, o Centro Price, tem norteado suas ações afim de atender a três objetivos básicos: proteger os fósseis e depósitos fossilíferos, fomentar, apoiar e realizar pesquisas geo-Paleontológicas e divulgar conhecimentos.
Para agilizar os trabalhos e possibilitar a ampliação do acervo fóssil, a instituição possui equipes de escavações, com coletas sistemáticas anuais por 6 meses, únicas neste gênero no Brasil.
A dinâmica desenvolvida entre os processos de coleta e preparação dos exemplares, tem permitido uma considerável ampliação da coleção. Das mais de mil e quinhentas peças existentes no acervo, podem ser encontrados exemplares relacionados aos seguintes grupos: dinossauros carnívoros e herbívoros, tartarugas, crocodilos, peixes, moluscos e crustáceos de água doce além de microfósseis de plantas.
Dentre tais fósseis, os que têm chamado maior atenção da mídia e do público em geral são os ovos de dinossauros, projetando Uberaba como a região do Brasil com maior número de achados, inclusive com exemplares inteiros, únicos no país.
Graças a intercâmbios e projetos de cooperação técnico-científica com algumas das maiores instituições de pesquisa nesta área, novas informações têm sido aportadas, permitindo uma melhor compreensão acerca da biota continental e sua contextualização paleoambiental no Cretáceo superior. Dentre as instituições parceiras estão: UNESP, UFRJ, UNIRIO, UFU, UFMG, UFOP, UNISINOS, USP, UERJ, Museu Nacional, Univ. Nacional da Patagônia, Museu Argentino de Ciências Naturais e Museu Americano de História Natural.
Nos últimos cinco anos foram publicados dezenas de trabalhos sobre os fósseis e seus ambientes de vida em revistas especializadas e eventos científicos. Atualmente, encontra-se em desenvolvimentos uma série de trabalhos tanto a nível de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado).
Algumas importantes conquistas foram realizadas nestes últimos anos, dentre elas a realização do XIV Congresso Brasileiro de Paleontologia e a reunião inaugural para a instalação do Projeto Internacional N0 381 de Correlação Geológica do Atlântico Sul promovido pela UNESCO e IUGS. Na área de divulgação para o grande público o Centro Price foi o tema do lançamento nacional da série dinossauros, com a emissão da mais completa série de selos, postais e envelopes realizada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Ainda em caráter de divulgação, cada nova descoberta teve ampla difusão pela mídia, onde esteve presente nos maiores jornais e revistas do Brasil e em especiais de televisão. Pela comunidade científica é tido como principal ponto de referência e apoio no âmbito dos estudos sobre dinossauros, rotulando Peirópolis-Uberaba como a Capital dos Dinossauros.
Graças a riqueza, importância e abrangência do jazigo fossilífero e dos estudos científicos desenvolvidos nesta região, o Sítio Paleontológico de Peirópolis deve ser incluído pela UNESCO como patrimônio mundial da humanidade.
O Museu dos Dinossauros foi criado para levar o conhecimento ao público leigo de forma simples e didática. Funcionando anexo ao Centro de Pesquisas, sua mostra inclui: painéis, gravuras, fotos, mapas e textos explicativos, além de um acervo bastante representativo de fósseis dos diversos componentes da fauna desta região, em especial os dinossauros. Para melhor atendimento, oferece guias treinados para dar explicações esclarecer dúvidas, e ainda, a partir da vinculação da FUMESU/FEU, um departamento pedagógico onde são desenvolvidas, diariamente, diversas atividades com os alunos.
Em março deste ano, o Museu entregou ao público, a maior réplica de um dinossauro brasileiro. Em formato de painel tridimensional, mostra o lado esquerdo de um Titanossauro adulto. Além dos 90 elementos ósseos representados, podem ser observados a pele e massa muscular, permitindo inferências sobre sua anatomia e biodinâmica e consequentemente uma visão mais realística do animal. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG e a empresa de adesivos Henkel-Loctite, foram fundamentais para a conclusão deste, e de outros projetos e achados fósseis feitos recentemente.
Desde sua inauguração, em julho de 1992, o Museu recebeu mais de cento e cinqüenta mil turistas de cerca de 750 municípios brasileiros e 25 países. Dentre os visitantes de maior freqüência estão os estudantes do ensino fundamental e médio de Uberaba e escolas da região, que tem utilizado o Museu e até mesmo parte das pesquisas científicas, como fonte didática de conhecimento e aprendizado sobre os conteúdos das ciências da terra.
O grande interesse pelo assunto, aliado a magia que os dinossauros exercem sobre as pessoas, tem transformado rapidamente Peirópolis em um núcleo regional de turismo e lazer, refletindo na economia local através da exploração comercial de serviços e produtos artesanais, proporcionando assim uma sensível melhora na qualidade de vida do moradores locais.
Graças as atividades desenvolvidas pela instituição, os fósseis ganharam em Uberaba uma nova aplicação e valor, que transcende até mesmo a importância científica. São elementos imprescindíveis na revitalização sócio-econômico-cultural das comunidades locais portadoras de importantes depósitos fossilíferos, exemplo a ser implantado em regiões carentes como o nordeste brasileiro.